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A psicoterapia modifica o cérebro?

  • Foto do escritor: Julio Cézar Fernandes
    Julio Cézar Fernandes
  • 6 de abr. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de jan. de 2024

A psicoterapia enquanto conjunto de estratégias e intervenções para a modificação comportamental, que permita mudanças duradouras no comportamento, implica na modificação também do funcionamento cerebral de um indivíduo. Separar o comportamento e o funcionamento cerebral é um meio didático essencial para se entender ambos fenômenos de maneira especializada e aprofundada, no entanto, observá-los apenas separadamente atrapalha perceber que a mudança comportamental se traduz em modificações na estrutura neurobiológica do cérebro e vice-versa. Nós podemos e precisamos pensar na arquitetura do cérebro como uma expressão tangível da nossa história de aprendizagem.


A partir do momento em que uma estrutura cerebral passa a ser mais utilizada (estimulada) através de uma determinada ação, o caminho neuronal para executá-la se torna progressivamente mais acessível, mais provável. Imagine por exemplo aquelas trilhas que ficam na grama quando pessoas frequentemente usam tal caminho. Isso é exatamente o que ocorre com os hábitos/comportamentos que você geralmente tem, desde ir para o trabalho, todas as etapas que você segue para escovar os dentes, tomar banho, vestir-se, amarrar o sapato, cozinhar, dirigir, pensar, sentir, etc. Todas essas atividades ocorrem porque existem caminhos neuronais sendo percorridos recorrentemente de maneira integrada em diferentes sistemas do seu cérebro.


Para compreender melhor o tema, precisamos ir um pouquinho além, vamos entender primeiramente um componente essencial do nosso cérebro.

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O neurônio é uma pequena célula que envia sinais eletroquímicos para outros neurônios ou para outras células do seu corpo (p. ex: glândulas, músculos, sistema imunológico). Essa conexão entre neurônios e demais células é o que permite o seu coração bater, você experimentar emoções, pensar, se comportar, viver. Em nossas vidas, à medida que um comportamento é aprendido e fortalecido, mais frequentemente um grupo de conexões neurais (a ligação entre um neurônio e outro[s]) são utilizadas, ao mesmo tempo em que tais conexões se multiplicam conectando um mesmo neurônio a vários outros. Isso significa que ao se comportar de uma maneira específica, o seu cérebro necessariamente está funcionando de maneira correspondente a esse comportamento; isso também implica que seu cérebro responde ao seu ambiente e ao seu contexto. Entender que o cérebro não é um órgão estático, imutável, permite que a gente compreenda que mudanças podem acontecer em sua estrutura e em seu funcionamento. E é justamente isso que torna possível a neuroplasticidade e a mudança comportamental.


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É com objetivo de produzir a mudança comportamental que a psicoterapia entra como elemento transformador, porque permite a compreensão de como o cliente se comporta e por que ele se comporta de determinada maneira. Além disso, a psicoterapia fornece um ambiente mais controlado e seguro para a mudança, que permite a exposição e aprendizagem a partir de níveis muito mais brandos de estresse do que a vida real e situações de trauma ou estresse agudo. E diante de situações de trauma, ela funciona muito bem como suporte, diminuindo a carga de estresse experimentada pelo cliente, e permitindo atenuar o impacto de tais experiências na vida do sujeito. Em outras palavras, dentro da psicoterapia, busca-se compreender grande parte das situações que levam ao sofrer e como isso se relaciona aos comportamentos, pensamentos e sentimentos do cliente. A partir dessa compreensão, o terapeuta busca estabelecer planos para a mudança e explorar o desenvolvimento de novos comportamentos (mudanças comportamentais + neurofisiológicas) em ambiente controlado com o cliente, de modo a diminuir o sofrimento. O que, por sua vez, vai favorecer novas conexões entre os neurônios.




Julio Cézar Fernandes de Matos - CRP 06/149257

Psicólogo analista do comportamento pela UEL; especialista em Neurociências pela mesma universidade.

 
 
 

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